terça-feira, 8 de outubro de 2013

Uma aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

Terminei de ler este livro de Clarice, minha amiga Clarice... aquela que sempre me desvenda, e que quando leio penso "Como não fui eu que escrevi isso?"

"Meus" trechos:

"Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois os olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. E o que se faz quando se fica feliz? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda que já está começando a me doer como uma angústia e como um grande silêncio? A quem dou minha felicidade que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta"

"Nós, os que escrevemos, temos na palavra humana, escrita ou falada, grande mistério que não quero desvendar com o meu raciocínio que é frio. Tenho que não indagar do mistério para não trair o milagre. Quem escreve ou pinta ou ensina ou dança ou faz cálculos em termos de matemática, faz milagre todos os dias."


Ahhh.... Clarice Lispector.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

De volta...

Hoje ao visitar meu coração
Descobri nova inquietação
Uma ânsia de vida
Minha evolução
Ou melhor, revolução
Meus antes inertes pensamentos
Agora estão em convulsão
Se batem, contraem, expandem-se
E como quando criança
Os sonhos se criam em minha mente
E voam... me levam pra longe de mim
E a vida colore-se em novas cores, novos sabores, novos saberes
Meus dedos inquietos querem escrever, querem tocar, querem fazer...
E volta a mim os mesmos velhos desejos
Um violão, um livro, uma música só minha
E volta a mim a velha alegria
Que só crianças sabem ter

E hoje, de novo, me sinto viva
com a caneta na mão
E tudo por causa de uma amiga!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Tentando ser eu...

Bom...tudo isso começou com uma peça de teatro que assisti com meu marido. Nela haviam trechos de textos da Clarice Lispector, e a parte que mais mexeu comigo era essa do "Se eu fosse eu"... e eu pensei muito que eu não tenho sido eu mesma.

Se eu fosse eu, eu iria brincar mais, eu iria ter atitudes positivas, ajudaria pessoas, ficaria mais tempo com meus amigos. Eu mudaria de vida... de verdade eu mudaria. Eu não me importaria com o que os outros dizem ou pensam, eu ia falar o que penso, mesmo sabendo que não é usual.  Eu cantaria mais, e mais alto. Dançaria mais. Terminaria a faculdade. Faria melhor no meu trabalho. Ficaria mais com minha família. Faria mais loucuras. Viajaria mais.

Ah... se eu fosse eu, eu seria espetacular. Teria uma vida saudável, mas cometeria alguns exageros vez ou outra. Seria ativa, e teria mais iniciativa. Seria ousada!

Decidi começar a ser eu. Começo por fazer o bem, por agir.

Já comecei... e pretendo ir longe, bem longe, até onde eu puder ir, até descobrir de verdade quem eu verdadeiramente sou!

terça-feira, 14 de maio de 2013

Se eu fosse eu...

"Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente devida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo,que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro."Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais"


(Texto extraído do livro A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, editora Rocco, pg. 156).

terça-feira, 26 de março de 2013

Páscoa

Quando você lê a Bíblia continuamente examinando bem e pensando, você percebe que essas tradições que vemos por aí não tem absolutamente NADA a ver com a Bíblia, ou com o cristianismo, ou se você pensar bem a última coisa que se faz é falar sobre Jesus(embora Jesus estivesse comemorando a Páscoa, logo ela já existia antes dele e ele instituiu outra coisa naquele dia, e não tinha nada de coelhos ou ovos de chocolate).

Por que se reproduz sempre a mesma coisa sem nem mesmo saber que há por trás de tudo? Sempre a mesma hipocrisia e o comércio só lucrando.

Só uma coisa me alegra: é feriado, terei tempo livre para coisas realmente boas.  É, eu fico feliz com feriados, não tô nem aí se todo mundo vai deixar de produzir, se isso é coisa de país subdesenvolvido e etc e tal. Eu só quero meu merecido descanso, tempo para fazer coisas realmente boas que nada tem a ver com dinheiro.

É isso.

sábado, 23 de março de 2013

Vou me gastar!


Eu vou me gastar... vou gastar minhas energias físicas. Gastar meus recursos. Gastar as melhores roupas e perfumes.

Ahh... vou gastar meu marido, família e amigos. Gastar meu cérebro acumulando informações e novos conhecimentos. Gastar meus cadernos e minhas canetas(até as coloridas).
Vou dar uso a tudo que foi guardado e esquecido. Tirar o pó do amor e da amizade. Encontrar minha auto-estima e aprender a elevá-la.

Por que a vida, os dias, as horas... são feitas para serem usadas e não voltam. Não desperdicemos mais, ok?

sexta-feira, 15 de março de 2013

Os ombros suportam o mundo

Carlos Drummond de Andrade:

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.